Livro do Solilóquio de Santo Agostinho

Número

pt.020

Título

Livro de Soliloquio de Sancto Agostinho

Fonte latina original

Soliloquia animae ad Deum (lt.020)

Localização textual

Encontra-se no Códice Alcobacense 273(198), após a obra intitulada Orto do Esposo

Língua(s)

Português antigo

Tradutor

 

Desconhecido

Contextualização da tradução

 

Esta tradução não é diretamente mencionada na lista de livros que D. Duarte possuía, embora não seja de descartar a hipótese de estar situada no livro de Meditações atribuído a Santo Agostinho que era propriedade do rei. Sabemos, no entanto, pelo Livro da Montaria (primeira metade do século XV), que a tradução já existiria, dado que são citados alguns trechos dela (capítulos V e I). Ver Cintra, 1957: xv-xviii.

Data

Anterior a 1433, dada a presença de alguns trechos da obra no Livro da Montaria.

Local

Desconhecido

Alterações de estrutura/conteúdo

 

Segundo Cintra (1957: xii-xv), nem sempre há total concordância entre o testemunho remanescente em português e a obra que lhe esteve na origem (a versão retirada da Patrologia Latina). Para além de não haver uma correspondência exata entre capítulos, encontramos omissões de alguns trechos e outros traduzidos de forma muito livre. Para além disto, por duas vezes, o tradutor inclui passagens da sua própria autoria: no início, quando explica a razão pela qual decidiu traduzir a obra e exorta à vida contemplativa; no fim, quando invoca o Espírito Santo.

Interferências textuais

Não se conhecem.

Lista de testemunhos manuscritos

O único testemunho existente da tradução portuguesa pertence ao Códice Alcobacense 273(198), guardado em Lisboa, na Biblioteca Nacional de Portugal.

Lista de Edições antigas

Em Português, não há edições antigas desde texto.

Enquadramento dos testemunhos

Em Português conhece-se apenas um testemunho, não se sabendo ao certo qual a versão latina que lhe esteve na origem.

Outros dados

O Códice Alcobacense 273(198), em pergaminho, possui as dimensões de 247 mm x 185 mm. O texto sobre os solilóquios está escrito a preto em carateres góticos de inícios do século XV, numa só coluna, com iniciais a vermelho e preto e títulos a vermelho. Ao longo do texto existem rasuras, emendas, notas e algumas lacunas. O testemunho encontra-se, assim, truncado, faltando-lhe cerca de sete folhas.

Edições

 

CINTRA, Mª Adelaide Valle (1957), Livro de Soliloquio de Sancto Agostinho. Lisboa: Centro de Estudos Filológicos.

Estudos

Bases de dados online:

Philobiblon - BITAGAP:

Texid 1081; Manid 1114; CNum 1328

 

Referências bibliográficas:

CEPEDA, Isabel Vilares (1995), Bibliografia da Prosa Medieval em Língua Portuguesa. Lisboa: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 37-38.

CINTRA, Mª Adelaide Valle (1957), Livro de Soliloquio de Sancto Agostinho. Lisboa: Centro de Estudos Filológicos.

LEMOS, Aida P. de Sampaio (2004), Textos apócrifos medievais na história da cultura da escrita. In SÁEZ, Carlos (dir.) Actas del VII Congreso Internacional de Historia de la Cultura Escrita. Alcalá de Henares: Universidad de Alcalá, 105-114.

MARQUES, João Francisco (2001), A presença das Confissões de Santo Agostinho na literatura e cultura portuguesa. In Actas do Congresso Internacional: As Confissões de Santo Agostinho 1600 anos depois: Presença e actualidade. Lisboa: Universidade Católica, 293-318.

MARTINS, Mário (1952), Os solilóquios e meditações do Pseudo-Agostinho, em medievo-português. Brotéria 55, 168-177. Reeditado em Estudos de Literatura Medieval (1956), Braga: Livraria Cruz.

MARTINS, Mário (1955), Santo Agostinho nas bibliotecas portuguesas da Idade Média. Revista Portuguesa de Filosofia 11, 166-176.

MORAIS, Ana Paiva (2011), O sujeito de si no discurso medieval - em torno do Solilóquio (de Santo Agostinho ao Roman de Tristan de Thomas d'Angleterre). Cadernos do CEIL 1 - Narrativas e Mediação: Figuras, 41-52.

NASCIMENTO, Aires A. (1993), Livro do Solilóquio de Sancto Agostinho. In: LANCIANI, Giulia; TAVANI, Giuseppe. Dicionário da literatura medieval galega e portuguesa. Lisboa: Caminho, 415-416.

NETO, Serafim da Silva (1956), Textos Medievais Portuguêses e seus Problemas. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, Casa de Rui Barbosa, 78.

OSÓRIO, J. A. (1993), "A prosa do Infante D. Pedro. A propósito do 'Livro dos Ofícios'", Biblos 69, pp. 107-127.

PONTES, José Maria da Cruz (2000/01), Augustismo em Portugal. In AZEVEDO, Carlos Moreira (dir.), Dicionário de História Religiosa de Portugal 1. Lisboa: Universidade Católica , 162.

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SABIO PINILLA, J. A. e FERNÁNDEZ SÁNCHEZ, M. M. (1998), O discurso sobre a tradução em Portugal. O proveito, o ensino e a crítica. Antologia (c. 1429-1818). Lisboa: Colibri.


Notas