Vida de Santo Aleixo

Número

pt.015

Título

Uida de Sancto Allexo Conffessor

Uida de Sancto Alexo Confesor

Fonte latina original

Vita Sancti Alexis Confessoris (lt.015)

Localização textual

Há dois testemunhos derivados do latim:

  • Testemunho 1: Códice Alcobacense 266 (ALC. 462). Integra um manuscrito com cerca de vinte textos diferentes intitulado Colecção Mystica de Fr. Hylario da Lourinhãa, Monge Cisterciense de Alcobaça, o qual transcreveo o seguinte no idioma Portuguez.
  • Testemunho 2: Códice alcobacense 36/181 (http://purl.pt/23735). Integra um manuscrito onde encontramos também os Diálogos de São Gregório, a Vida do Cativo Monge Confesso e um texto doutrinário sobre a vida perdurável.

Há ainda um outro testemunho derivado de uma tradução castelhana (para este último, ver Notas)

Língua(s)

Português antigo

Tradutor

 

Relativamente ao testemunho 1, embora no início do códice se afirme que a tradução dos textos nele existentes foi obra de Frei Hilário (de que praticamente nada sabemos, à exceção de que era natural da Lourinhã e monge no Mosteiro de Alcobaça – Castro et alii, 1982/83: 5), tal dado não parece fiável. De facto, embora, em termos paleográficos, o manuscrito seja datado do século XV, alguns textos nele incluídos possuem uma linguagem mais antiga e há três letras diferentes, o que indicia que os copistas foram pelo menos três. Segundo Castro et alii (1982/83: 6), é possível que os três tenham trabalhado no scriptorium de Alcobaça durante o tempo em que foi abade do Mosteiro D. Estêvão de Aguiar (entre 1431 e 1446), competindo a frei Hilário a compilação dos textos e eventualmente a cópia ou tradução de alguns. No caso do texto em questão, como se trata de uma cópia de uma tradução anterior, o texto terá sido copiado e não traduzido para este manuscrito.

O tradutor relacionado com o testemunho 2 é desconhecido. Sabemos apenas que o manuscrito foi copiado por Estevão Anes Lourido.

Contextualização da tradução

 

O testemunho 1 pertence a uma compilação de vidas de santos que ficou conhecida por Colecção Mystica de Fr. Hylario da Lourinhãa, Monge Cisterciense de Alcobaça, o qual transcreveo o seguinte no idioma Portuguez, designação atribuída no século XVIII, embora o manuscrito seja datado do século XV.

O testemunho 2 pertence também a uma compilação de vidas de santos em que encontramos, ainda, os Diálogos de São Gregório, a Vida do Cativo Monge Confesso e um texto doutrinário sobre a vida perdurável

Data

Testemunho 1: A datação do códice onde se insere o testemunho 1 (ALC. 462) é polémica, dado que há divergências significativas a nível das datas para as quais os investigadores apontam. Estudos codicológicos recentes apontam para que a datação do códice se situe entre 1431 e 1446. Tal não significa, contudo, que o texto tenha sido produzido entre estes parâmetros temporais, embora haja quem defenda que o códice resultou de um projeto unitário e que, por isso, os textos deveriam ter sido produzidos nesse tempo (vide Sobral, 1993: 673).

Testemunho 2: O códice alcobacense 36/181 é datado de 1416.

Local

O testemunho 1 terá sido traduzido/copiado scriptorium do Mosteiro de Alcobaça, de onde é originário os manuscritos em que se insere.

Não se conhece o local de produção do testemunho 2, embora pertença também à coleção alcobacense.

Alterações de estrutura/conteúdo

Não se conhecem alterações de conteúdo.

Interferências textuais

Não se conhecem interferências textuais.

Lista de testemunhos manuscritos

 

Existem dois testemunhos portugueses traduzidos do latim:

1. Testemunho 1: está inserido no manuscrito com a referência ALC. 462, procedente do Mosteiro de Alcobaça (Códice Alcobacense 266), entre os fólios 1r e 42r. O manuscrito existe em forma de microfilme na Torre do Tombo (Torre do Tombo, mf 185), anterior proprietário.

2. Testemunho 2: está inserido no códice alcobacense 36/181, situando-se entre os fólios 153r e 157r.

Presentemente, encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, havendo possibilidade de fazer download do manuscrito.

Lista de Edições antigas

Não existem edições impressas antigas das traduções derivadas do texto latino.

Enquadramento dos testemunhos

 

Relativamente ao testemunho 1, do Códice Alcobacense 266, hoje na Biblioteca Nacional no manuscrito com a referência ALC. 462, não se conhece a data precisa em que o texto foi elaborado, ao passo que, relativamente ao testemunho 2, sabemos que o códice alcobacense 36/181 é datado de 1416. Não é conhecido o arquétipo de que descendem os textos. O testemunho 2, contudo, tem prováveis ligações com outros dois manuscritos, o manuscrito 522 existente na Torre do Tombo (ms. da Livraria 522) e o manuscrito Serafim da Silva Neto (Biblioteca Central, Divisão de Coleções Especiais: 181). Ver Machado Filho, 2008/2009 e Mattos e Silva, 1971, 1973).

Pereira (1887-1889: 333) considera que os dois testemunhos descendem do mesmo texto latino, aventando a hipótese de serem cópias de uma tradução portuguesa anterior, entretanto perdida (assim se explicariam as diferenças entre os textos). Joseph Allen (1953) também estabelece uma relação direta entre os dois textos sobre a Vida de Santo Aleixo, concluindo que o códice 266 é uma cópia do 36. Correia (1993: 663), contudo, considera que são necessários mais estudos para comprovar tal hipótese.

Outros dados

Testemunho 1: existente no Códice Alcobacense 266, hoje na Biblioteca Nacional no manuscrito com a referência ALC. 462, pertence a um manuscrito em pergaminho encadernado e escrito em carateres góticos de finais do século XIV/inícios do século XV numa só coluna de 30 linhas, com iniciais a cores e filigranadas. As folhas têm a dimensão de 263 × 180 mm, apresentando manchas de humidade. Antes da Biblioteca Nacional, os seus proprietários foram o Arquivo Nacional da Torre do Tombo e o Mosteiro de Alcobaça.

Testemunho 2: está inserido no códice alcobacense 36/181, datado de 1416 e composto por 165 fólios, em gótica cursiva, possuindo iluminuras. É em pergaminho e está encadernado em carneira sobre cartão, tendo as dimensões de 276x185 mm. Neste códice, onde está a Vida de Santo Aleixo estão, encontramos também os Diálogos de São Gregório, a Vida do Cativo Monge Confesso e um texto doutrinário sobre a vida perdurável.

Edições

 

PEREIRA, F. M. Esteves (1887-1889), Vida de Santo Aleixo segundo os Códices do Mosteiro de Alcobaça. Revista Lusitana 1, 332-345.

ALLEN Jr., Joseph H. D. (1953) Two Old Portuguese Versions of the Life of Saint Alexis, Codices Alcobacenses 36 and 266. Urbana: University of Illinois Press (Illinois Studies in Language and Literature, 37.1, 1953).

PECORARO, Dinorah S. C. (1951), A Vida de Santo Aleixo. São Paulo: Universidade de São Paulo.


Estudos

Bases de dados online:

Philobiblon - BITAGAP:

Testemunho 1: Texid 1087; Manid 1143; Cnum 1071

Testemunho 2: Texid 1083; Manid 1094; Cnum 1095

 

Arlima: http://www.arlima.net/uz/vita_sancti_alexis.html

             http://www.arlima.net/ad/alexis_saint.html

             http://www.arlima.net/uz/vida_de_sancto_alexo.html

 

Referências bibliográficas:

CASTELO BRANCO, Ricardo Cerveira de Abreu (1996) Patrística e hagiografia – Subsídios para o estudo da tradição hagiográfica de Santo Aleixo. Tese. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa.

CORREIA, A. (1993), Vida de S. Aleixo. In: LANCIANI, Giulia; TAVANI, Giuseppe. Dicionário da literatura medieval galega e portuguesa. Lisboa: Caminho, 663-664.

CORREIA, A. (1993). Sobre a funcionalidade da narrativa hagiográfica. In Nascimento, Aires Augusto (dir.), Actas do IV Congresso da Associação Hispânica de Literatura Medieval. Lisboa: Edições Cosmos, 121-124.

POTTIER, Bernard (1953), Joseph H. D. Allen Jr., Two Old Portuguese Versions of The Life of Saint Alexis, Codices Alcobacenses 36 and 266. (Illinois Studies in Language and Literature, vol. 37, n° 1.). Bulletin Hispanique 55.2, 209-210.

SOBRAL, Cristina M. M. (1993), Vida de Santa Maria Egipcíaca. In LANCIANI, Giulia e TAVANI, Giuseppe (dir.), Dicionário da Literatura Medieval Galega e Portuguesa. Lisboa: Caminho, 672-674.

WILLIAMS, Edwin B. (1941), The Old Portuguese versions of the life of saint Alexis: a note based on the chronology of Old Ptg. Orthography. Hispanic Review 9, 214-215.


Notas

Há uma tradução do texto que aparentemente deriva não do texto latino, mas de uma cópia em vernáculo. Trata-se de um texto que integra um exemplar português da obra Flos Sanctorum que se encontra na Biblioteca Nacional de Portugal (Ho flos sanctõ[rum] em lingoaje[m] p[or]tugue[s]), com a cota RES. 157 A. Esta obra deriva do texto castelhano da Legenda Aurea de Jacobus de Voragine e regista a Vida e Penitência de Santo Aleixo entre os fólios 70r e 73v. Trata-se de uma edição de 1513 feita em Lisboa que compila mais de duas centenas de textos. Esta obra é composta por perto de trezentos fólios (alguns estão desaparecidos e outros estão degradados) a duas colunas em papel e é encadernada em pergaminho. As folhas têm a dimensão de 263 x 200 mm e está escrita em gótica, possuindo iluminuras. Anteriormente, a obra pertenceu a Dom João de Melo Manuel da Câmara Medeiros, Conde da Silvã e Francisco de Melo Manuel da Câmara (Cabrinha).