Segredo dos Segredos

Número

pt.003

Título

Segredo dos Segredos

Segredos de Aristóteles

Fonte latina original

Secreta secretorum (lt.003)

Localização textual

Obra com o mesmo nome.

Língua(s)

Português antigo

Tradutor

 

Provavelmente o Infante D. Henrique, cuja autoria da tradução é pela primeira vez mencionada no século XVI, no Registrum librorum don Ferdinandi Colon (Gomes, 1938: 195-197; Sá, 1960: xvii-xviii). Segundo Sá, os argumentos que confirmam a autoria da tradução aduzidos por Gomes (1938: 202, 207-208) não têm razão de ser e não há dados mais específicos, pelo que tal autoria não é comprovável, embora seja plausível (Sá, 1960: xvii-xix. Veja-se também Carvalho, 1949).

D. Henrique (Porto, 4 de Março de 1394 – Sagres, 13 de Novembro de 1460) foi o quinto filho de D. João I e D. Filipa de Lencastre, pertencendo à famosa Ínclita Geração. É conhecido como Infante de Sagres ou O Navegador, dado o papel relevante que desempenhou no início dos Descobrimentos portugueses.

Contextualização da tradução

 

A obra encontra-se entre os textos que terão pertencido à Livraria de D. Duarte (xiv), sendo que, depois, há referências à sua presença entre os códices do Mosteiro de Alcobaça, de onde desapareceu, para vir a ser adquirido, já no século XX, por um particular (Sá, 1960: xiv-xvi).

Data

Anterior a 1438, data da morte de D. Duarte, dado que a tradução figura no rol de livros que D. Duarte (que falece em 1438) possuía (Sá, 1960: xxviii-xxix). Na base de dados Philobiblon, a data provável de tradução situa-se entre 1401 e 1425 (ver texid 1043 e cnum 1048).

Local

Desconhecido, embora a autoria da tradução atribuída a D. Henrique possa levar a pensar num ambiente da Corte.

Alterações de estrutura/conteúdo

 

Segundo Sá (1960: xix-xxiii), a tradução portuguesa insere-se no grupo de traduções derivadas da variante do texto original denominada texto oriental, descendendo de uma tradução latina (do século xiii) do mesmo.

Interferências textuais

Não se conhecem interferências de outros textos.

Lista de testemunhos manuscritos

 

1. Existe uma única tradução portuguesa completa em localização desconhecida. As últimas informações dão conta de que o seu possuidor, em 1960, seria Mário Alberto de Sousa Gomes. Este testemunho será uma cópia do século XV.

2. Há uma cópia parcial do texto, do século XV, situada nos fólios 54r-54v do ‘Leal Conselheiro’ que se encontra-se no testemunho pertencente ao Fonds Portugais 5 da Bibliothèque Nationale de France [Richelieu], de que é possível fazer download (o texto do Segredo dos Segredos encontra-se nas páginas 117-118 do documento em pdf). Ver também Sá, 1960: xxiii-xxix).

Lista de Edições antigas

Não existem edições impressas antigas.

Enquadramento dos testemunhos

 

1. O único testemunho manuscrito completo que conhecemos estava nas mãos de um particular (Mário Alberto de Sousa Gomes) nas últimas investigações que vieram a lume, em 1960. Não está determinado se se trata da versão original da tradução ou de uma cópia, mas Sá admite tratar-se do texto original, dado que, segundo este investigador, “visto ter todo o aspecto de haver sido escrito no séc. XV, (…) dificilmente se concebe a existência de dois manuscritos da mesma obra, no mesmo século, em livrarias portuguesas, especialmente não se tratando de obra de grande utilidade didáctica” (Sá, 1960: xvi).

2. Há ainda uma transcrição parcial desta tradução no testemunho manuscrito do ‘Leal Conselheiro’ (fólios 54r-54v que se encontram no testemunho pertencente ao Fonds Portugais 5 da Bibliothèque Nationale de France [Richelieu]). Segundo informação da BNF, este manuscrito foi copiado em Portugal no século XV (1401-1450), tendo pertencido a Leonor de Aragão (esposa de D. Duarte) ou a seu irmão, Afonso V de Aragão.

Outros dados

1. O testemunho que existe é em papel, encadernado com madeira de carvalho forrada a vitela. Na parte da frente há sinais de ter tido fechos, enquanto a parte de trás está muito danificada, não existindo lombada. Falta a folhainicial (no total seriam 192). Na primeira página de cada caderno está a assinatura, a vermelho. O texto é escrito em semigótico redondo, em tons de castanho. Os títulos são a vermelho e há lugar para iniciais iluminadas. Ao lado do texto há apontamentos que resumem os assuntos tratados (Gomes, 1938: 197-198).

2. Segundo informação da BNF, a cópia parcial do testemunho do ‘Leal Conselheiro’ encontra-se num manuscrito, datado do século XV, com 128 fólios em pergaminho com as medidas de 40,5 × 28,2 cm. O texto, escrito em letra cursiva gótica, divide-se em duas colunas com iniciais pintadas/ornamentadas. A encadernação é em carneira vermelha.

Edições

 

SÁ, Artur Moreira de (1960) Aristóteles [Pseudo] – Segredo dos Segredos. Tradução portuguesa, segundo um manuscrito inédito do séc. XV. Lisboa: Faculdade de Letras.

Estudos

Bases de dados online:

Philobiblon  – BITAGAP: Texid 1043; Manid 1031; Manid 1154; Cnum 1048; Cnum 19272

 

Referências bibliográficas:

BRAGA, T (1892-1902), História da Universidade de Coimbra 1, Lisboa: Academia Real das Sciencias, 219.

CARVALHO, J. (1925), Excerpta Bibliographica ex Bibliotheca Columbina, 1, Arquivo de História e Bibliografia, Coimbra, 511-576.

CARVALHO, J. (1938), O 'Secreto de los secretos de astrologia' do Infante D. Henrique (Rectificação), O Instituto 93, 345-357.

CARVALHO, J. (1949), A propósito da atribuição do Secreto de los Secretos de Astrologia ao Infante D. Henrique, Estudos sobre a Cultura Portuguesa do século XV . Coimbra: Universidade de Coimbra, 1, 283-261.

GOMES, Armando Sousa (1938), "O Livro 'Segrêdo dos segredos' e o Infante D. Henrique (Em Defesa)", O Instituto 481-489

GOMES, Armando Sousa (1938), O Livro «Segrêdo dos Segredos» e o Infante D. Henrique. O Instituto 93, 193-220.

PIEL, Joseph Maria (1942), Leal Conselheiro o qual fez Dom Eduarte. Edição crítica e anotada. Lisboa: Livraria Bertrand, 211-212.

SÁ, Artur Moreira de (1960), "A próxima edição de três traduções portuguesas inéditas do século XV", Boletim Internacional de Bibliografia Luso-Brasileira 1, 579-585 (n. III).

Notas