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Incipit epistola abbatis Johannis, ducis monachorum de Raytu...

Número

lt.028

Título

Incipit epistola abbatis Johannis, ducis monachorum de Raytu, ad admirabilem abbatem Johannem Montis Synay, cognominatum Scolasticum, novissime vero a conscriptore nominatum Climacum

Texto a que deu origem

Carta a São João Clímaco (pt.028)

Autor

João, Abade do Mosteiro de Raitu

Língua

Latim

Caracterização

Epístola dirigida a São João Clímaco pelo abade de Raitu, onde se revela que foi este abade que pediu ao santo a produção da obra Escada Celestial. Nela surge a referência à escada de Jacob (Gen. 28, 10-22) e uma analogia entre as “tauoas spirituaaes” escritas por São João Clímaco no Monte Sinai e as tábuas da Lei que Moisés recebeu de Deus no mesmo Monte Sinai (Alkimim, 2007: 30; Martins, 1962b: 184-185).

Data

O texto original é do século VI ou VII. A tradução latina de que eventualmente descende a tradução portuguesa é de cerca de 1300. A cópia existente em Portugal, segundo Martins (1961: 403) terá surgido por volta de 1409.

Local

O texto original terá sido escrito eventualmente no mosteiro de Raitu, onde era abade o seu remetente, de nome João.

Contexto da redação do texto original

Esta carta terá sido dirigida pelo abade do mosteiro de Raitu a S. João Clímaco por ocasião da produção da obra Escada Celestial.

Versões existentes e sua localização

Esta carta surge em variados manuscritos, como apêndice à obra Escada Celestial. Desta última há manuscritos escritos em várias línguas (grego, sírio, árabe, arménio, etc.), entre as quais o latim. A tradução latina completa mais antiga que se conhece data de cerca de 1300 e terá sido efetuada por um frade franciscanos de nome Ângelo Clareno. Desta tradução restam 51 manuscritos.

O testemunho latino existente em Portugal encerra, para além da carta em questão, uma versão da Escada Celestial e o Livro do Pastor (para além de outros textos relacionados com São João Clímaco). Trata-se do Códice Alcobacense CCLXI/387. Contém a versão de Ângelo Clareno, que terá sido copiada em Alcobaça cerca de 1409 por Frei Martinho (Martins, 1956: 274; Martins, 1962a: 62). Segundo Martins (1961: 407; 1962b: 181), similitudes entre o texto deste códice e a tradução portuguesa que se encontra no Códice Alcobacense 213 permitem pensar que esta última pode derivar do texto latino, embora não seja certo que este esteja na sua origem. De facto, conjetura-se que a tradução portuguesa pode ter sido realizada a partir não do texto latino, mas de uma versão italiana desse mesmo texto (Almeida, 2005: 133. Alkimim – 2007: 19, n.30; 24-29 – mostra menos certezas relativamente a este assunto).

Estudos

Referências bibliográficas:

CLIMACUS, Joannes (1860). Scala Coeli. In: MIGNE, J. P. (org.). Patrologiae Grecae: Cosmas Indicopleutes, Vol. 88, 631-1164.

 

ALKIMIM, Ilma Magalhães (2007) Escada Celestial, de João Clímaco (Cód. Alc. 213): edição e estudo. Dissertação de Mestrado. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais.

ALMEIDA, Ana Cristina Rui (2005), “...E dali em diante soube perfeitamente falar o grego...” – um episódio na vida de Ângelo Clareno. MÁTHESIS 14, 129-136.

MARTINS, M. (1956) A Biblioteca de Alcobaça e o seu fundo de livros espirituais. In Estudos de Literatura Medieval. Braga: Livraria Cruz.

MARTINS, M. (1961), A Escada Celestial em medievo-português. Brotéria 62.4, 402-415.

MARTINS, M. (1962a), O Livro do Pastor, Brotéria 75, 62-68.

MARTINS, M. (1962b) Vida de S. João do Monte Sinai por Daniel de Raitu. Brotéria 74.2, 179-186.