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Responsiva epistola Johannis Scolastici...

Número

lt.027

Título

Responsiva epistola Johannis Scolastici, abbatis Montis Synay, dicti Climaci, ad Johannem, Raytu abbatem

Texto a que deu origem

Carta a João, Abade de Raytu (pt.027)

Autor

São João Clímaco ou João, o Escolástico ou Sinaíta (eventualmente Síria, séc. VI – Monte Sinai, início do séc. VII).

Língua

Latim (o original será grego)

Caracterização

Epístola dirigida ao abade de Raitu (Raytu), em que São João imputa a este homem a responsabilidade pela produção da obra Escada Celestial (Alkimim, 2007: 33; Martins, 1962b: 185).

Data

O texto original é do século VI ou VII. A tradução latina de que eventualmente descende a tradução portuguesa é de cerca de 1300. A cópia existente em Portugal, segundo Martins (1961: 403) terá surgido por volta de 1409.

Local

O texto original terá sido escrito provavelmente no Monte Sinai, onde se encontrava São João Clímaco. Seguindo o pensamento de Martins (1962a: 62), a tradução latina de que pode descender a tradução portuguesa terá sido levada a cabo por Frei Ângelo Clareno. Assim, será originária da Grécia, na medida em que terá sido realizada durante o exílio deste sacerdote (Ver Almeida, 2005: 133).

Contexto da redação do texto original

Esta carta terá sido escrita por S. João Clímaco para um destinatário específico, o abade do mosteiro de Raitu, que considera responsável pela produção da obra Escada Celestial.

Versões existentes e sua localização

Esta carta surge em variados manuscritos, como apêndice à obra Escada Celestial. Desta última há manuscritos escritos em várias línguas (grego, sírio, árabe, arménio, etc.), entre as quais o latim. A tradução latina completa mais antiga que se conhece data de cerca de 1300 e terá sido efetuada por um frade franciscanos de nome Ângelo Clareno. Desta tradução restam 51 manuscritos.

O testemunho latino existente em Portugal encerra, para além da carta em questão, uma versão da Escada Celestial e o Livro do Pastor (para além de outros textos relacionados com São João Clímaco). Trata-se do Códice Alcobacense CCLXI/387. Contém a versão de Ângelo Clareno, que terá sido copiada em Alcobaça cerca de 1409 por Frei Martinho (Martins, 1956: 274; Martins, 1962a: 62). Segundo Martins (1961: 407; 1962b: 181), similitudes entre o texto deste códice e a tradução portuguesa que se encontra no Códice Alcobacense 213 permitem pensar que esta última pode derivar do texto latino, embora não seja certo que este esteja na sua origem. De facto, conjetura-se que a tradução portuguesa pode ter sido realizada a partir não do texto latino, mas de uma versão italiana desse mesmo texto (Almeida, 2005: 133. Alkimim – 2007: 19, n.30; 24-29 – mostra menos certezas relativamente a este assunto).

Estudos

Referências bibliográficas:

CLIMACVS, Joannes (1864). Venerandam epistolam tuam…. In: MIGNE, J. P. (org.). Patrologiae Graecae. Paris: J.-P. Migne Éd., Vol. 88, 625-628.

 

ALKIMIM, Ilma Magalhães (2007) Escada Celestial, de João Clímaco (Cód. Alc. 213): edição e estudo. Dissertação de Mestrado. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais.

ALMEIDA, Ana Cristina Rui (2005), “...E dali em diante soube perfeitamente falar o grego...” – um episódio na vida de Ângelo Clareno. MÁTHESIS 14, 129-136.

MARTINS, M. (1956) A Biblioteca de Alcobaça e o seu fundo de livros espirituais. In Estudos de Literatura Medieval. Braga: Livraria Cruz.

MARTINS, M. (1961), A Escada Celestial em medievo-português. Brotéria 62.4, 402-415.

MARTINS, M. (1962a), O Livro do Pastor, Brotéria 75, 62-68.

MARTINS, M. (1962b) Vida de S. João do Monte Sinai por Daniel de Raitu. Brotéria 74.2, 179-186.

PLATHOW, M. (1992), Biographisch-Bibliographisches Kirchenlexicon. Verlag Traugott Bautz, Band III , s.v. “Johannes Klimakus”. www.bautz.de/bbkl