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Liber ad Pastorem

Número

lt.026

Título

Liber ad Pastorem

Sermo ad Pastorem

Texto a que deu origem

Livro do Pastor

Sermom que fala do pastor

Sermão do Pastor (pt.026)

Autor

São João Clímaco ou João, o Escolástico ou Sinaíta (eventualmente Síria, séc. VI – Monte Sinai, início do séc. VII).

Língua

Latim (o original é grego)

Caracterização

Tratado dirigido ao abade de Raitu, mas destinado aos superiores dos mosteiros em que estes são comparados a um pastor que procura guiar da melhor forma as suas ovelhas. O pastor é, assim, um “pastor de monges”, com vários deveres através dos quais deve conduzir os sacerdotes a uma vida mais pura (Martins, 1962a: 63-67).

Data

O texto original é do século VI ou VII. A tradução latina de que eventualmente descende a tradução portuguesa é de cerca de 1300. A cópia existente em Portugal, segundo Martins (1961: 403) terá surgido por volta de 1409.

Local

O texto original terá sido escrito eventualmente no Monte Sinai. Seguindo o pensamento de Martins (1962a: 62), a tradução latina de que pode descender a tradução portuguesa terá sido levada a cabo por Frei Ângelo Clareno. Assim, será originária da Grécia, na medida em que terá sido realizada durante o exílio deste sacerdote (Ver Almeida, 2005: 133).

Contexto da redação do texto original

Esta obra, na origem escrita em grego, terá sido escrita por S. João Clímaco com um destinatário específico – ao abade do mosteiro de Raitu – tendo por objetivo dar conselhos aos superiores dos mosteiros. Complementa a obra Escada Celestial, destinada aos monges (Martins, 1962a: 62).

Versões existentes e sua localização

O Livro do Pastor surge associado à obra Escada Celestial, surgindo, segundo Martins (1962a: 62), como uma continuação da mesma, embora formando “um todo separável e autónomo”. Da obra Escada Celestial há manuscritos escritos em várias línguas (grego, sírio, árabe, arménio, etc.), entre as quais o latim. A tradução latina completa mais antiga que se conhece data de cerca de 1300 e terá sido efetuada por um frade franciscanos de nome Ângelo Clareno. Desta tradução restam 51 manuscritos.

O texto latino existente em Portugal encerra, para além da Escada Celestial, o Livro do Pastor e encontra-se no Códice Alcobacense CCLXI/387. Contém a versão de Ângelo Clareno, que terá sido copiada em Alcobaça cerca de 1409 por Frei Martinho (Martins, 1956: 274; Martins, 1962a: 62). Segundo Martins (1961: 407; 1962b: 181), similitudes entre o texto deste códice e a tradução portuguesa que se encontra no Códice Alcobacense 213 permitem pensar que esta última pode derivar do texto latino, embora não seja certo que este esteja na sua origem. De facto, conjetura-se que a tradução portuguesa pode ter sido realizada a partir não do texto latino, mas de uma versão italiana desse mesmo texto (Almeida, 2005: 133. Alkimim – 2007: 19, n.30; 24-29 – mostra menos certezas relativamente a este assunto).

Estudos

Referências bibliográficas:

CLIMACVS, Joannes (1864). Liber ad Pastorem. In: MIGNE, J. P. (org.). Patrologiae Graecae. Paris: J.-P. Migne Éd., Vol. 88, 1165-1210.

 

ALKIMIM, Ilma Magalhães (2007) Escada Celestial, de João Clímaco (Cód. Alc. 213): edição e estudo. Dissertação de Mestrado. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais.

ALMEIDA, Ana Cristina Rui (2005), “...E dali em diante soube perfeitamente falar o grego...” – um episódio na vida de Ângelo Clareno. MÁTHESIS 14, 129-136.

MARTINS, M. (1956) A Biblioteca de Alcobaça e o seu fundo de livros espirituais. In Estudos de Literatura Medieval. Braga: Livraria Cruz.

MARTINS, M. (1961), A Escada Celestial em medievo-português. Brotéria 62.4, 402-415.

MARTINS, M. (1962a), O Livro do Pastor, Brotéria 75, 62-68.

MARTINS, M. (1962b) Vida de S. João do Monte Sinai por Daniel de Raitu. Brotéria 74.2, 179-186.

PLATHOW, M. (1992), Biographisch-Bibliographisches Kirchenlexicon. Verlag Traugott Bautz, Band III , s.v. “Johannes Klimakus”. www.bautz.de/bbkl