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Scala Paradisi

Número

lt.025

Título

Scala Paradisi

Scala Coeli

Texto a que deu origem

Escada Espiritual

Escada Celestial

Escada do Paraíso (pt.025)

Autor

São João Clímaco ou João, o Escolástico ou Sinaíta (eventualmente Síria, séc. VI – Monte Sinai, início do séc. VII).

Língua

Latim (o original é grego)

Caracterização

Tratado dividido em 30 partes, cada uma da qual com uma reflexão distinta, que pretende ajudar os monges a aproximar-se cada vez mais da perfeição divina. O texto inspira-se no episódio bíblico da Escada de Jacob (Gen. 28, 10-22).

Data

O texto original é do século VI ou VII. A tradução latina de que eventualmente descende a tradução portuguesa é de cerca de 1300. A cópia existente em Portugal, segundo Martins (1961: 403) terá surgido por volta de 1409.

Local

O texto original terá sido escrito eventualmente no Monte Sinai, ao passo que a tradução latina de que pode descender a tradução portuguesa será originária da Grécia, na medida em que terá sido realizada durante o exílio de Frei Ângelo Clareno (Ver Almeida, 2005: 133).

Contexto da redação do texto original

Esta obra, na origem escrita em grego, terá talvez sido escrita numa idade já avançada de S. João Clímaco, dado que nela encontramos inúmeros relatos de vivências do seu autor, que provavelmente terá querido deixar um registo dos ensinamentos por si ministrados aos monges do Mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai, de quem foi abade.

Versões existentes e sua localização

Há cerca de 33 manuscritos em grego (guardados na Biblioteca Apostólica Vaticana e na biblioteca do Mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai, Egito) e várias traduções em sírio, árabe, arménio, etc. São conhecidos alguns excertos em latim datados do século XI, pelo que se supõe que a primeira tradução latina seja no máximo dessa época. Contudo, a tradução latina completa mais antiga que se conhece data de cerca de 1300 e terá sido efetuada por um frade franciscanos de nome Ângelo Clareno. Desta tradução restam 51 manuscritos, que se encontram em Itália (17), Alemanha (8), França (9), Vaticano (6), Bélgica (4), Inglaterra (2), República Checa (1), Croácia (1), Países Baixos (1), Espanha (1) e Portugal (1). Há também 39 manuscritos em italiano, um em inglês e um em português (Almeida, 2004: 265). Alkimim (2007: 19-24) apresenta outros dados, mencionando várias traduções latinas de que restam testemunhos manuscritos e edições impressas e correspondentes versões em vernáculo.

O texto latino existente em Portugal encontra-se no Códice Alcobacense CCLXI/387 e contém a versão de Ângelo Clareno, que terá sido copiada em Alcobaça cerca de 1409 por Frei Martinho (Martins, 1956: 274). Segundo Martins (1961: 407; 1962: 181), similitudes entre o texto deste códice e a tradução portuguesa que se encontra no Códice Alcobacense 213 permitem pensar que esta última pode derivar do texto latino, embora não seja certo que este esteja na sua origem. De facto, conjetura-se que a tradução portuguesa pode ter sido realizada a partir não do texto latino, mas de uma versão italiana desse mesmo texto (Almeida, 2005: 133. Alkimim – 2007: 19, n.30; 24-29 – mostra menos certezas relativamente a este assunto).

Para além deste testemunho, sob o título Speculum Monachorum (Espelho dos Monges), o Códice Alcobacense 200 conserva, entre os fólios  76v e 125, um testemunho parcial da obra. De facto, entre os fólios 76v-103v estão 20 capítulos que coincidem com capítulos da Escada Celestial, que terá servido de base para a produção do texto (Baldim, 1974, XXII; Alkimim, 2007: 24).

Estudos

Referências bibliográficas:

CLIMACVS, Joannes (1864). Scala Paradisi. In: MIGNE, J. P. (org.). Patrologiae Graecae. Paris: J.-P. Migne Éd., Vol. 88, 631-1164.

 

ALKIMIM, Ilma Magalhães (2007) Escada Celestial, de João Clímaco (Cód. Alc. 213): edição e estudo. Dissertação de Mestrado. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais.

ALMEIDA, Ana Cristina Rui (2004), Da Palestina à Europa: trajecto de um livro de formação monástica. Península – Revista de Estudos Ibéricos 1, 263-268.

ALMEIDA, Ana Cristina Rui (2005), “...E dali em diante soube perfeitamente falar o grego...” – um episódio na vida de Ângelo Clareno. MÁTHESIS 14, 129-136.

BALDIM, Agostinho (1974), Espelho dos monges : códice 200 dos códices alcobacenses da Biblioteca Nacional de Lisboa. Maringá: Universidade Federal de Santa Catarina.

MARTINS, M. (1956) A Biblioteca de Alcobaça e o seu fundo de livros espirituais. In Estudos de Literatura Medieval. Braga: Livraria Cruz.

MARTINS, M. (1961), A Escada Celestial em medievo-português. Brotéria 62.4, 402-415.

MARTINS, M. (1962) Vida de S. João do Monte Sinai por Daniel de Raitu. Brotéria 74.2, 179-186.

PLATHOW, M. (1992), Biographisch-Bibliographisches Kirchenlexicon. Verlag Traugott Bautz, Band III , s.v. “Johannes Klimakus”. www.bautz.de/bbkl