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De imitatione Christi

Número

lt.024

Título

De imitatione Christi

Imitatio Christi

De Contemptu Mundi

Texto a que deu origem

Imitação de Cristo (pt.024)

Autor

Provavelmente Tomás de Kempis ou Thomas à Kempis (Kempen, 1379/80 – Zwolle, 1471) Veja-se Cepeda, 1993: 322; von Habsburg, 2011: 2-5; Creasy, 2007: xvii-xxi.

Língua

Latim

Caracterização

Tratado devocional e místico ligado ao movimento espiritual denominado deuotio moderna, que propõe uma vida comunitária, de meditação e trabalho manual (sobretudo relacionado com a cópia de livros). Na obra, o seu autor defende o valor da oração e do amor a Jesus Cristo, por oposição ao pouco interesse que devem ter as coisas mundanas. O texto gira, então, à volta de temas como o valor das virtudes, a escolha correta de prioridades, a riqueza da vida interior, a devoção eucarística, etc. (Scully, 1912; Cepeda, 1993: 322; von Habsburg, 2011: 12-30).

Data

Provavelmente 1418

Local

Mosteiro do Monte de Santa Agnes, Zwolle

Contexto da redação do texto original

Esta obra foi composta anonimamente, dado que o seu autor manifesta, no texto, a vontade de permanecer desconhecido, pelo facto de o mais importante não ser o emissor, mas sim a mensagem transmitida (Livro I, capítulos 2 e 5). Algumas referências, contudo, parecem indicar que o autor da obra terá sido Tomás de Kempis, monge copista e autor de inúmeros estudos religiosos, que escreveu o texto quando se encontrava em Zwolle, no Mosteiro do Monte de Santa Agnes.

Versões existentes

A grande popularidade e difusão do texto fez com um século depois de ser escrito, existissem já cerca de 800 manuscritos do mesmo e cerca de 100 edições impressas em inícios de 1500 (von Habsburg, 2011: 1, 49-50). A primeira versão impressa remonta a 1472 (Augsburg, abadia beneditina de St. Ulrich e Afra), apenas um ano depois da morte de Kempis, existindo já, à época, testemunhos tanto em Latim como em vernáculo. Por esta época, existiram já cerca de 750 manuscritos (Tylenda, 1998: xxvii). Após esta impressão, o texto espalhou-se ainda mais, acabando por ser impresso, em Latim, em 21 locais diferentes, entre os quais encontramos Colónia, Florença, Nuremberga, Paris, Roma ou Estrasburgo (von Habsburg, 2011: 62, 64-65).

O manuscrito que contém a referência ao nome de Thomas à Kempis (Finitus et completus anno domini m.cccc.xli. per manus fratris thome kempis in monte sacncte agnetis prope zwollis) é de 1441 e encontra-se na Real Biblioteca de Bruxelas (MS 5855-61). Veja-se Creasy, 2007: ix, xx.


Na Biblioteca Nacional de Portugal, encontrámos vários testemunhos:

- ALC. 71//3, originário de Veneza (1486);

- INC. 281, originário de Milão (1488);

- INC. 972 e INC. 1369, ambos originários de Veneza (1496/97).


Online encontramos várias edições, entre as quais um incunábulo de 1492:

A KEMPIS, THOMAS (1492). Imitatio Christi (e GERSON, Johannes. De meditatione cordis). Nuremberga: Anton Koberger.

THOMAS (1867), De imitatione Christi libri quatuor. Londres: MacMillan (Williams et Norgate).

Estudos

Referências bibliográficas:

SCULLY, Vincent. "Thomas à Kempis." The Catholic Encyclopedia. Vol. 14. New York: Robert Appleton Company, 1912. Acedido online a 21 de fevereiro de 2013 em http://www.newadvent.org/cathen/14661a.htm

VON HABSBURG, Maximilian (2011), Catholic and Protestant Translations of the Imitatio Christi, 1425–1650. From Late Medieval Classic to Early Modern Bestseller. Farnham: Ashgate Publishing.

TYLENDA, Joseph N. (1998). The Imitation of Christ. Vintage Spiritual Classics.

CREASY, William C. (2007). The Imitation of Christ by Thomas a Kempis: A New Reading of the 1441 Latin Autograph Manuscript. Macon: Mercer University Press.