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Vita Sanctae Thaisis

Número

lt.019

Título

Vita Sanctae Thaisis

Texto a que deu origem

Vida de Santa Tarsis  (pt.019)

Autor

Desconhecido

Língua

Latim (o texto original é grego).

Caracterização

Texto hagiográfico que narra a vida de uma prostituta (que no texto mais antigo conhecido não tem nome) e a sua mudança de vida, provocada por influência de um clérigo de nome Serapion. Este, pedindo-lhe para passar uma noite com ela, acaba por recitar os salmos à sua frente e pedir pela sua alma, conseguindo que ela se junte às suas orações e demonstre vontade de mudar de vida. Perante isto, Serapion leva-a para um convento, recomendando-lhe que encontrasse por si própria uma penitência adequada. Esta implicou, por escolha da prostituta, jejum e, mais tarde, a reclusão, que a acompanhou até ao fim da vida (Beresford, 2007:1-2).

A partir desta história foram surgindo novas redações em grego e, no século XI, encontramos já testemunhos onde existe um prólogo moralizante em que a prostituta é identificada como ‘Thais’. Outras inovações têm lugar: a ação é colocada em Alexandria, a prostituta é fisicamente descrita como muito bela, uma analepse justifica a sua escolha por uma vida de devassidão, descreve-se o caminho de perdição em que vários homens da cidade foram lançados por se envolverem com ela, o clérigo (Sarapion) é descrito como um homem sábio que se dedicava a converter mulheres devassas e que consegue converter a prostituta depois de esta lhe dizer que ele devia temer Deus. A partir daqui, a conversa do clérigo sobre as relações com Deus leva-a ao arrependimento, à destruição de todos os seus bens e à reclusão e jejum num mosteiro por imposição do sacerdote durante três anos. Numa visita a um outro clérigo, de nome António, Sarapion procura descobrir se a prostituta foi perdoada e uma visão de um dos discípulos de António confirma-o. Thais é avisada do perdão e morre duas semanas depois (Beresford, 2007: 3-9).

Data

Séculos VI-VII d.C (data da tradução latina do texto grego, escrito em fins do século IV d.C. ou início do século V d.C.).

Local

Desconhecido

Contexto da redação do texto original

A vida de Santa Tarsis terá sido escrita em grego (Kuehne, 1922: 18-29) por autor desconhecido em fins do século IV d.C. ou início do século V d.C., cerca de 50 anos depois da presumível data da morte da santa. Surgiram depois versões em outras línguas, como o sírio (Kuehne, 1922: 39-43) ou o latim.

Versões existentes e sua localização

Em latim, a versão mais antiga terá sido feita por um certo Dionysius Exiguus para o seu senhor, por volta dos séculos VI-VII d.C. (Kuehne, 1922: 32, 34). A partir desta versão surgiram outras, onde incluímos a que encontramos na obra Vitae Patrum, com o título Vita sanctae Thaisis, meretricis, cujo autor desconhecemos (Kuehne, 1922: 29-35; Beresford, 2007: 10). Com a evolução da lenda, surgem modificações na história que incluem, por exemplo a mudança do nome do clérigo, de Sarapion para Panúncio (Kuehne, 1922: 12-15). Por fim, a lenda é fixada por Jacobus de Voragine na Legenda Aurea, seguindo de perto o relato da obra Vitae Patrum (Kuehne, 1922: 35-38.

Dantico (2004) relaciona o aparecimento desta história com escritos de Terêncio e Menandro, embora afirme que se desconhece se esta ligação é real.

O texto latino encontra-se online:

1.   Suyskeno, Constantino et alii (1866), Acta Sanctorum – Octobris tomus quartus. Parisiis et Romae: apud Victorem Palmé, 225-228.

2.   Documenta Catholica Omnia: Migne, JP, Patrologia Latina – Vita Sanctae Thaisis Meretricis – Documento em pdf.

3.   Jacobi a Voragine Legenda aurea vulgo Historia lombardica dicta – Jacobus de Voragine:. De sancta Thaisi meretrice.

 

Estudos

Bases de dados online:

Arlima: http://www.arlima.net/qt/thais_sainte.html

 

Referências bibliográficas:

BERESFORD, Andrew M. (2007), The Legends of the Holy Harlots: Thaïs and Pelagia in Medieval Spanish Literature. Woodbridge: Tamesis.

DANTICO, Alecia C. (2004), Desert Flower – Thais through Time. In http://www.umilta.net/thais.html

KUEHNE, Oswald Robert (1922), A study of the Thaïs legend – with special reference to Hrothsvitha's "Paphnutius". Thesis (PH. D.). Philadelphia: PA