Textos latinos‎ > ‎

Visio Tungdali

Número

lt.016

Título

Visio Tungdali

Visio Tnugdali

Visio Tundali

Texto a que deu origem

 Visão de Túndalo (pt.016)

Autor

Marcus, monge de origem irlandesa

Língua

Latim ou eventualmente irlandês (León Acosta, 1993: 683; Pereira, 1895: 97)

Caracterização

Texto de caráter hagiofânico que pertence ao mesmo género da Divina Comédia, sendo considerado o seu antecedente mais próximo. Descreve a viagem que, uma noite, a alma do cavaleiro irlandês Túndalo empreende ao Purgatório, Inferno e Paraíso, locais onde experimenta os mesmos padecimentos e alegrias dos mortos. Após esta visão, o cavaleiro converte-se, distribui os seus bens pelos pobres e torna-se eremita (León Acosta, 1993: 683-684; García Sánchez, 2010: 355).

Data

Perto do ano de 1149.

Local

Segundo o prólogo das versões mais antigas, foi escrito na cidade de Ratisbona (Alemanha).

Contexto da redação do texto original

Conforme relata o prólogo do texto latino, a visão terá ocorrido em 1149, sendo pouco depois documentada em texto. Segundo Pereira (1895: 98), uma referência no texto a S. Bernardo parece indiciar que este ainda seria vivo quando Marcus escreveu a narrativa. Como a sua morte ocorreu em 1153, o texto terá provavelmente sido produzido entre essas duas datas.

Não havendo certeza sobre se o texto original foi escrito em latim ou irlandês, sabe-se, contudo, que este texto foi muito popular. Um século depois de escrito, terá sido reformulado por Vincent de Beauvais, que o incluiu na sua obra Speculum Historiale (livro 28, capítulos 88-104). Mais tarde, o texto foi objeto de tradução em mais de trinta línguas, tendo chegado até hoje cerca de 250 manuscritos medievais (León Acosta, 1993: 683; Pereira, 1895: 97).

Versões existentes e sua localização

Mattia Cavagna (http://www.arlima.net/mp/marcus.html) destaca, de entre 16 testemunhos do século XII, os seguintes, pertencentes ao grupo A:

1.     München, Bayerische Staatsbibliothek, Codices latini monacenses, 22254, f. 117r-138r

2.     Trier, Bistumsarchiv, Nr. 29, f. 13r-30v

Do grupo B destaca também os seguintes:

1.     Berlin, Staatsbibliothek und Preussischer Kulturbesitz, Ms. lat. oct. 100, f. 1v-67r

2.     Bruxelles, Bibliothèque royale de Belgique, 4526-4533 (1880), f. 108r-125v

3.     München, Bayerische Staatsbibliothek, Codices latini monacenses, 18523b, f. 13v-29v (olim Tegernsee)

4.     Troyes, Bibliothèque municipale, 946, f. 50r-68v

Para além disto, há pelo menos centena e meia de testemunhos latinos documentados até ao século XIX. Ver Wagner, 1882: IX-XIV; Palmer, 1982: 5-10; Pereira, 1895: 99.

Em Portugal existe, na Biblioteca Nacional de Portugal, um exemplar manuscrito do Speculum Historiale (códice Z-6-3), talvez do século XV, que contém a Visio Tundali no livro 28 (cap. 88-104). Ver Pereira (1895: 99).

Estudos

Bases de dados online:

Arlima:

http://www.arlima.net/no/92

e também

http://www.arlima.net/no/85, http://www.arlima.net/no/99, http://www.arlima.net/no/17,

http://www.arlima.net/no/358, http://www.arlima.net/no/93

 

Referências bibliográficas:

GARCÍA SÁNCHEZ, Enrique (2010). Libros de viaje en la península ibérica durante la Edad Media: Bibliografía. Lemir 14, 353-402.

LEÓN ACOSTA, J. (1993). Visão de Túndalo. In: LANCIANI, Giulia; TAVANI, Giuseppe. Dicionário da literatura medieval galega e portuguesa. Lisboa: Caminho, 683-684.

MEARNS, Rodney (1985). The Vision of Tundale, ed. From B.L. MS Cotton Caligula A II. Heidelberg: Carl Winter.

MUSSAFIA, A. (1871). Sulla vision di  Tundalo. Viena: Sitzungsberichte der Königlichen Academie der Wissenschaften, philosophisch-historische Klasse 57.

PALMER, Nigel (1982). Visio Tnugdali: The German and Dutch translations and their circulation in the Later Middle Ages. Munich: Artemis.

PEREIRA, F. M. Esteves (1895), Visão de Tundalo, Revista Lusitana 3, 97-120.

WAGNER, Albrecht (1882). Visio Tnugdali - Lateinisch und Altdeutsch. Erlangen. Verlag von Andreas Deichert.