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Vita de S. Maria Aegyptiaca

Número

lt.013

Título

Vita de S. Maria Aegyptiaca

Texto a que deu origem

Vida de Santa Maria Egipcíaca

Uida de Sancta Maria egipcia

Autor

Sofrónio de Jerusalém

Língua

Latim (o texto original é grego).

Caracterização

Texto hagiográfico construído por Sofrónio a partir de dois textos: a Vida de São Paulo de Tebas (de S. Jerónimo) e a vida de Maria de Jerusalém (texto dos Atos do Monge Ciríaco, de S. Cirilo de Scythopolis). Nele se narra a vida de promiscuidade de Maria de Alexandria e a sua conversão, provocada por não conseguir entrar na Basílica da Ressurreição, em Jerusalém. Após a conversão, a santa parte para o deserto onde permanece durante décadas, com pouca comida e sofrendo tentações. Um dia encontra-se com o monge Zózimas que ouve a sua história e lhe dá a comunhão. Um ano mais tarde ele regressa, mas encontra-a morta e, com a ajuda de um leão, procede à sua sepultura.

Data

Século VII d.C.

Local

Desconhecido

Contexto da redação do texto original

Sofrónio de Jerusalém escreveu a vida de Santa Maria Egipcíaca em grego, texto que, no século IX, foi traduzido para latim por Paulo, diácono de Nápoles, a pedido de Carlos, o Calvo. A partir desta versão, e de outras entretanto feitas, surgiram depois variadas, em diversas línguas vulgares.

Versões existentes e sua localização

Possuímos hoje em dia 4 testemunhos em latim do texto em questão (Faccon, 1998: 83-84):

a) uma tradução em prosa do século IX, atribuída a Paulo, diácono de Nápoles e dedicada ao imperador Carlos, o Calvo. Foi incluída na obra Vitae Patrum de 1478. Esta versão circulou sobretudo em França, Inglaterra, Países Baixos e Alemanha (ver Migne, Patrologia latina, 73, 671-690) e veio a ser depois editada no século XVI por Surio. e mais tarde Rosweyde.

b) uma tradução em prosa do século X, anónima (manuscrito a-II-9 da Biblioteca de El Escorial). Em Portugal existe um testemunho desta versão, do século XIII (Alc. 283/454) que se encontra na Biblioteca Nacional.

c) uma tradução em prosa do século  XI, anónima, que parece ser cópia de uma versão mais antiga, do século VII. Será provavelmente a esta que Nunes (1917: 183) se refere quando menciona uma tradução anónima e do século XI que foi publicada pelos Beneditinos na Bibliotheca Casinensis III. Tanto este testemunho, como o da alínea b), tiveram uma maior difusão e serviram de modelo aos principais textos em língua vulgar, sobretudo na Península Ibérica;

d) uma tradução em prosa do século XVII, publicada em 1675 pelos Bolandistas, na obra Acta Sanctorum – dia 2 de abril, páginas 68-90.

Por fim, há ainda poemas e versões abreviadas em latim, destacando-se os incluídos no Speculum Historiale de Vincenzo di Beauvais e na Legenda Áurea de Jacopo de Voragine.

Estudos

Bases de dados online:

Arlima: http://www.arlima.net/uz/vie_de_sainte_marie_legyptienne.html;

             http://www.arlima.net/mp/marie_legyptienne_sainte.html

 

Referências bibliográficas:

ANTOLIN, Guillermo (1909), «Estudio de códices visigodos - códice a-II-9 de la Biblioteca de El Escorial», Boletín de la Real Academia de la Historia, LIV, 294-313.

Bibliotheca Casinensis. III: Florilegium Casinense, Monte Cassino, 226-235.

FACCON, M. (1998), "Due traduzioni iberiche della Vida de Santa María Egipciaca. Fonti possibli", Revista de Literatura Medieval 10, 83-99.

FACCON, M. (1994) «Los manuscritos de la Vida de Santa María Egipciaca en la Península Ibérica: três traducciones del siglo xiv y sus fuentes posibles». Tese. Padova: Universitá degli Studi di Padova, Facoltá di Lettere e Filosofía.

MIGNE, Jean Paul (1879), «Vita Sanctae Mariae Aegyptiacae», Patrologia, Series Latina, LXXIIl, Paris, 671-690

NUNES, J. J. (1917), "Textos antigos portugueses VII. [Vida de Santa Maria Egipcia]", Revista Lusitana 20, 184-203.

PAPEBROCHIUS, Daniel (1675), Acta Sanctorum, Aprilis, I, 68-90 (76-83).

ROSWEYDE, Heribert (1615). Vitae Patrum, Antuerpiae, ex Officina Plantiniana.