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Liber de gestis Barlaam et Iosaphat seruorum Dei

Número

lt.010

Título

Liber de gestis Barlaam et Iosaphat seruorum Dei

Texto a que deu origem

 Lenda de Barlaão e Josafate (pt.010)

Autor

Atribui-se a S. João Damasceno

 

Língua

Latim (o texto original é em língua georgiana ou grega, segundo Ribas 2011).

Caracterização

Texto hagiográfico com a narração da vida de Buda numa versão cristianizada da sua biografia (Soares, 1993: 664), presente em obras da literatura hindu como Jataka, Lalita Vistara ou Budacaritas. Com isto, Buda foi considerado, durante séculos, como um santo cristão (Borges, 2007: 68).

Data

Existem versões latinas do texto desde o século XI d.C. Os dois testemunhos portugueses são do século XIII.

Local

Os dois testemunhos existentes em Portugal são originários do Mosteiro de Alcobaça e do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.

Contexto da redação do texto original

A primeira versão do texto seria precisamente o texto intitulado Lálita Vistara. A partir daqui surgiram traduções em várias línguas, até que surge, provavelmente entre os séculos IX e XI, a primeira versão cristã do texto, que terá sido escrita em língua georgiana, por autor desconhecido. De seguida foi traduzida para grego e esta tradução é atribuída a São Eutímio de Athos (955-1028), monge georgiano pertencente ao mosteiro de Iviron no Monte Athos. Existe também a hipótese de o texto cristão original ser em grego, havendo uma tradução em georgiano. A partir daqui, o texto foi difundido em outras línguas: árabe, etíope, arménio, siríaco e hebraico. Por volta do séculos XI surge a tradução para latim, que permite a difusão do texto por toda a Europa (Ribas, 2011: 2537-2538). Hoje conhecemos cerca de 150 testemunhos (Vilches Fernández, 2010: 928). A mais antiga das traduções latinas está neste momento na Biblioteca Nacional de Nápoles: Biblioteca Nazionale Vittorio Emanuele III, Naploi - Manuscrito Ms. VIII.B.10, com 502 fólios , datado do século XIV. A versão em questão está entre os fólios 416v-502v.

Versões existentes e sua localização

Em Portugal, existem dois testemunhos, um na Biblioteca Nacional (Fundo Alcobacense – Alc. 169), com cerca de 100 fólios, e outro na Biblioteca Pública Municipal do Porto (Fundo do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra: Santa Cruz 45, número geral 785), com 128 fólios. Este último testemunho encontra-se descrito no Catálogo dos Códices da Livraria de Mão do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra na Biblioteca Pública Municipal do Porto (páginas 225-228). Segundo Soares (1993: 664), os dois testemunhos apresentam muitas semelhanças e possuem edições impressas quinhentistas:

- Alc. 169: Basileia, 1539;

- Santa Cruz 45: Colónia, 1546.

Algumas versões do texto, em várias línguas, estão descritas em documento ou em link da Biblioteca Nacional de França. No site Documenta Catholica Omnia encontra-se o texto grego.

Estudos

Base de dados online:

Arlima: http://www.arlima.net/ad/berlan_e_josapha.html


Referências bibliográficas:

RIBAS, André A. (2011) Algumas Considerações sobre as Versões Georgiana e Grega do Romance Hagiográfico de Barlaão e Josafá. V Congresso Internacional de História, Universidade Estadual de Maringá, 21-23 de setembro de 2011, 2536-2542.

FISCHER, Matthias (2003) Versus de sanctis Barlaam et Josaphat: die anonyme Versifikation der Barlaam- und Josaphatlegende (12. Jhd.) in der Handschrift Besancon BM 94. Bern/New York: P. Lang.

CRUZ PALMA, Óscar de la (2001) Barlaam et Iosaphat, versión vulgata latina. Madrid: Bellaterra.

MAHÉ, Annie e MAHÉ, Jean-Pierre (trad.) (1993) La sagesse de Balahvar. Une vie christianisée du Bouddha. Saint-Amand: Éditions Gallimard.