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Oenone Paridi

Número

lt.009

Título

Oenone Paridi (Perlegis? An coniunx prohibet noua? Perlege: non est )

Texto a que deu origem

Carta de Oenone a Pares traladada do Ouuidio em copras per Joam Rriz de Luçena (pt.009)

Autor

Publius Ovidius Naso (Públio Ovídio Nasão)

43 a.C – 17 d.C.

Língua

Latim

Caracterização

Epístola poética dirigida pela ninfa Enone a Páris, seu amado, que a abandona em favor de Helena, deixando a ninfa desolada a rememorar o amor perdido e a lamentar-se do sofrimento em que vive.

Data

A data de composição das Heroides é desconhecida, embora uma passagem dos Amores (Am. 2.18.19–26) indicie que foram escritas antes desta última obra. Assim sendo, Knox (1995: 6) levanta a hipótese de terem sido escritas entre 25 e 16 a.C.

Local

Desconhecido

Contexto da redação do texto original

Tendo iniciado carreira na política e advocacia, Ovídio acabou, na sua juventude, por abandonar estas atividades para se dedicar por inteiro à poesia. As suas obras dividem-se em três grupos: no início da sua carreira como escritor, compõe as seguintes obras: Medeia (tragédia perdida), Amores, Ars Amatoria, Remedia Amoris, Medicamina Faciei; num período mais maduro, escreve Metamorphoses e Fasti; no fim da sua carreira, já no exílio, compõe cartas com lamentos: Epistulae ex Ponto, Tristia, Ibis, Halieutica (Prieto, 2006: s.u. ‘Ovídio’, 231). As Heroides pertencem à primeira fase da carreira do poeta, ainda que não seja possível definir uma data concreta para a sua produção (Prieto, 2006: s.u. ‘Ovídio’, 231).

Versões existentes e sua localização

Na Biblioteca Nacional, em Portugal, existem vários exemplares das Heroides de Ovídio (na secção de Reservados). Vários são de fins do século XV (INC. 832, INC 1432, INC 1551), mas também há do século XVI (RES. 5940//1 P., RES. 3194 V., L. 5306 A., L. 1300 V., L. 1301 V., L. 16555//4 P., L. 818 A. e L. 816 A.. Não estando definido se algum dos primeiros exemplares referidos foi usado como fonte para a tradução dos poemas ovidianos, sabemos, porém, que o incunábulo 832 apresenta notas manuscritas em português e que há algumas coincidências entre ele e as traduções do Cancioneiro Geral (Tarrío, 2001a:165-181).

Tarrío (2001a:165, 180; 1998: 264, 266) refere ainda a existência de outros exemplares da obra ovidiana em várias bibliotecas do país.

Estudos

Edições e comentários:

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